Historias do Magrao para quem estava com saudades

A glamurosa vida de consultor.

(É… colegas consultores. Eles vêem as pinga que tomamos, mas não vêem os tombos que levamos)

Minha última viagem para projeto internacional foi à Paris.
Falando assim o que todo mundo pensa… Que legal! É um privilegiado! Etc.

Avisaram-me três dias antes. Aí no dia seguinte, cancelaram. Aí no outro dia confirmaram novamente. Lá fui eu. Em cima da hora.

Quando comuniquei às pessoas que iria para lá, ouvi diversos comentários:
– Nossa! Que vida boa essa que vocês levam!- Vai levar a esposa?

Não adiantava responder:

– Mas vou a trabalho.
E escutava:
– É, mas é em Paris!
Até a esposa dizia frases com cara de brava:
– Você vai para Paris e eu não poderei ir com você, é muita sacanagem!
Que culpa tenho eu?

Aí começa a saga.
Lembram em fevereiro? Falou se muito nos noticiários. Um frio incomum na Europa.
Muita neve na Espanha, Itália, França. Em regiões onde normalmente não neva ou fazia muito tempo não nevava como Roma, Paris nevou bastante.
Pois é… Eu tava lá… Em Paris, bem nesses dias, os mais frios em décadas.
Cheguei num dia já muito frio.
Pensei: – OK não é comum e a tendência agora deve ser esquentar…
Triste ilusão! Mais Frio!
Aí no primeiro dia tive a fantástica notícia:
Nos próximos três dias você terá reuniões com o pessoal daqui e um pessoal da Austrália também vai participar e por isso as reuniões começarão as 6:00 hs da manhã e é bom você chegar às 5:45hs no escritório.
Resultado: Nos três dias seguintes enfrentei o frio das 5 da matina, sem café da manhã do hotel (que começava a ser servido às 6hs) para participar dessas reuniões. Fora isso para poder entrar no prédio da empresa tinha que chamar o porteiro do prédio e ficar esperando na calçada até que ele, assustado ao ver um cara querendo entrar para trabalhar a essa hora, ir abrir a porta. Se demorasse muito eu viraria um sorvete. Ou seja, até então Paris estava terrível pra mim.

Como todo brasileiro que não desiste nunca, faço aquele esforço mental e penso:

Ok, no final de semana vai melhorar…
Na sexta-feira deu uma melhoradinha. Beleza! Agora vai…
Sábado, acordei às 9 horas da manhã, normalmente estaria começando a esquentar lá pelas 10hs. Como gosto passear caminhando pelas cidades européias que são organizadas e aconchegantes, planejo:
Vou descer do metrô numa estação perto de vários pontos interessantes e aí caminhando e passeando decido aonde ir. Dois colegas compraram a idéia e foram comigo. Resultado: Passei o maior frio da minha vida.
Não sei como, cheguei ao Louvre. Eu o via 200 metros a minha frente e ainda assim duvidava que conseguisse chegar lá. Olhei para um laguinho que tem no caminho e ele estava congelado. Olhava uns malucos correndo pelo parque só de agasalho com aquele vento cortante e ficava imaginando: como eles não passam frio? Será que vão me socorrer se eu cair por aqui?
Cheguei ao museu e levei uns 15 minutos para me recuperar. O rosto formigava, o nariz corria e não tocava as orelhas com medo de que elas quebrassem.
OK, ok, a visita ao museu foi dez. Comi numa lanchonete lá dentro mesmo.
Lá pelas 2 da tarde subiu a temperatura lá fora, pelo menos é era o que o Iphone do meu colega informava, sendo assim os tolinhos brasileiros pensam:
– Subiu bastante, agora dá para andar lá fora. Deu, foi sofrido, friorento, mas deu.
Margens do Sena, torre Eiffel, chocolate quente, compra de luvas e gorros para aguentar o tranco etc.
Quando umas duas horas depois começou a esfriar e ficar insuportável novamente fomos a Galeria Lafayette. Chegando lá percebi que só mulheres haviam recomendado conhecer o local e descobri o motivo:
É o paraíso para as mulheres e inferno para os homens. Vários andares, milhões de coisas que não interessam ao sexo masculino e que a massacrante maioria não teria dinheiro para comprar de qualquer modo. Então prá que ficar lá dentro com um monte de gente se esbarrando? Não faço idéia, mas por algum motivo as mulheres adoram. Ficam hipnotizadas, qualquer argumento masculino passa longe de ser notado.
Juro que procurei uma seção de coisas masculinas e descobri, fica num cantinho mirradinho num dos andares.
Voltei para o hotel e apesar dos pesares estava começando a gostar de ter ido a Paris. Sinto um incomodo nos dentes. Na manhã seguinte vou tomar café. Não consigo mastigar de um lado. Penso:
– Dor de dente? Assim do nada? E agora?
Mesmo assim fui dar um rolê na Champs Elysees e almoçar por lá. É legal.
Dia seguinte… mais dor. Resisti durante toda a semana à base de doses cavalares de aspirina.
O frio continua. Continua a saga de tentar se equilibrar nas calçadas cheias de gelo, de comer perto do hotel para não ter que passar frio, de aguentar o mal humor dos taxistas.
Thanks God, até que enfim é sexta-feira. Volto para a terrinha.

Chego no sábado de carnaval, sinto o calor, humm! Delícia! O dente logo parou de doer.
A glamorosa vida de consultor tinha se resumido a um final de semana gelado na França.
De qualquer modo não posso reclamar, é o jeito de trabalhar que escolhi e por enquanto não troco por outro. Afinal Paris é Paris.
Depois da semana do carnaval tive que voltar para lá novamente, mas essa história fica para um próximo “post”.

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Um texto para refletirmos

É preciso diminuir o ritmo, dar valor as coisas importantes de vida e curti-las.

Por esse motivo, de achar que não tenho tempo, não escrevi o que eu realmente gostaria de escrever para esse mês, novembro será diferente.

“A velocidade do cotidiano não nos oferece tempo para recordações; se estamos com pouco tempo para cuidar da vida, menos ainda nos sobra para cuidar da morte
Descanse em paz?
Mario Sergio Cortella

Em uma de suas cartas, o romancista Gustave Flaubert escreveu: “Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!”.
Uma visão quase amarga como essa coube muito bem no século passado e, até há pouco, ainda tinha alguma vitalidade; agora, nas nossas pós-modernas e alvoroçadas épocas, estamos perdendo parte da capacidade de abrir as recordações, mesmo as tumulares. Hoje, a velocidade inclemente do cotidiano não nos oferece tempo para recordações muito duradouras; se estamos com pouco tempo para cuidar da vida, menos ainda nos sobra para cuidar da morte.
Não temos tempo! Houve uma época na história humana (e não faz muito) em que, quando um dos nossos morria, parávamos tudo o que estivéssemos fazendo; o trabalho, ou o que mais fosse, era interrompido e, se preciso, faziam-se longas viagens, até noturnas (sem os rápidos aviões, carros e boas estradas atuais), mas não deixávamos de, velando os partintes, cuidar dos ficantes.
A humanidade houvera compreendido que, se com a Morte não nos conformamos, ao menos nos confortamos, nos fortalecemos em conjunto, nos apoiamos. As pessoas ficavam, às vezes por um dia e uma noite, em volta da família, aglomerados, grudados, exalando solidariedade e emoção, orando e purgando lentamente o impacto, mostrando aos mais próximos que não estavam sozinhos na perda.
Ora, um dos mais fortes indícios da presença humana é o cuidado com os mortos; as mais antigas manifestações de formação social, quando as localizamos, nós o fazemos por intermédio de túmulos, inscrições, ossos agrupados ou corpos enterrados ou cremados. É sinal de humanidade não se conformar com a Morte e, portanto, buscar vencer simbolicamente o que parece ser invencível. A própria palavra cemitério (derivada do grego), usada em vários idiomas, significa lugar para dormir, dormitório, lugar para descansar. Deixar esvair essa marca é extremamente perigoso pois não propicia a especial ocasião de meditar sobre a Vida e, eventualmente, descansar em paz.
Deixamos de velar (no sentido de tomar conta, cuidar) para velar (como cobrir, ocultar, esquecer, apagar).
Não temos mais tempo! Se recebemos a notícia de que algum conhecido faleceu, olhamos o relógio e pensamos: “Vou ver se dou uma passadinha lá…”; alguém morre às 10 horas da manhã e, se der, será enterrado até as cinco da tarde, de maneira a, em nome do “não sofrermos muito”, sermos mais práticos e rápidos. Nem as crianças (já um pouco crescidas) são levadas a velórios; muitos argumentam que é para poupá-las da dor. Isso não pode valer; parte delas cresce sem a noção mais próxima de perda e, despreparadas e insensibilizadas para enfrentar algumas situações nas quais a nossa humanidade desponta, simultaneamente, fraca e forte, perdem força vital.
Por isso, não será estranho se, em breve, tivermos que nos acostumar também com o velório virtual ou, principalmente, como já está começando em países mais “avançados”, o velório “drive thru”: entra-se com o carro, coloca-se a mão sobre o corpo do falecido (enquanto um sensor lê tuas digitais para enviar um agradecimento formal), aperta-se um botão com a oração que se deseja fazer e… pronto, já vai tarde. Parece ridículo? Se não prestarmos atenção, assim será.
Vale o alerta de Gilbert Cesbron, “E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde demais”? “.

Homenagem ao dia das criancas

daddyboy

 

Historias de Marcela #soosfortesentenderao

Oiii amigos e leitores !

Hello my friends !

Hoje a homenagem nao sera com Historias de Magrao, mas sim com historias de Marcela. Preciso compartilhar com voces o que aconteceu aqui comigo !

Today the honor for my dad wont be one of his stories, will be mine story. I need to share with you all what happened  !

Terca feira passada foi dia de simulado do IELTS, todo mes temos um desse para testar como estamos e praticar a nossa organizacao em relacao ao tempo de prova. Isso sempre acontece de manha e de tarde assistimos um filme.

Last Tuesday was one of the days that we take a IELTS’  test simulation, every month we do it so we can see how we are and learn to manage our test time. this is usually in the morning and after lunch, on that days, we watch a movie.

Acabamos o simulado e a Professora nos deu a opcao de dois filmes para assisitir : What happen in Vegas com a Cameron Diaz e Ashton Kutcher ou I Love You Man. Ela perguntou qual preferiamos e ninguem respondeu nada, como eu ja tinha assistido o de Vegas falei : vamos ver I Love You Man, que eu nunca tinha visto. Ok, e foi isso !

After we have finish the test, the Teacher asked us which movie we would like to watch: What happen in Vegas with Cameron Diaz e Ashton Kutcher or I Love You Man. Nobody answered so I said : Lets watch I Love You Man, since I haven’t watched before. Ok, and was that !

Fui almocar com as minhas amigas Karla, do Mexico, e Carolina, da Italia, e elas me perguntaram sobre a minha tatuagem do braco. Ai, expliquei que eh uma homenagem ao meu papis, que ha exatos 6 meses virou meu anjo da guarda, e que as letras sao o nome de uma musica que escutei a minha vida inteira por causa do meu pai, e que RUSH eh uma das bandas preferidas dele. Passados os 60 minutos de almoco fomos assistir ao filme. Adivinha??? ! ! ! A trilha sonora do filme eh RUSH ! Meu Deus, ate chorei… tinhamos acabado de falar nisso ! ! !

I went to lunch with my friends Karla, from Mexico, and Carolina, from Italy, and they asked me about my tattoo arm. Than, I explained that is a tribute to my Daddy, which has exactly six months became my guardian angel, and those letters are the name of a song I heard my whole life because of my father, and that RUSH is one of his favorite bands. After 60 minutes of lunch went to watch the movie. Guess what ??? ! ! ! The film’s soundtrack is RUSH! My God, I cried we just had finished talking about it! ! !

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Depois do filme fui conversar com a Carolina e ela disse: Viu, deve ser seu Pai passando pra falar “Oi minha filhinha, estou por aqui”.

After the movie I went to talk with Carolina and she said: See, it must be your father that just passed by saying: Hi my little girl, I’m here.”

 

 

 

 

 

Histórias do Magrão IV

Estou tão ausente do Alimentando Mentes que estou triste. Mas, é porque aqui onde estou a internet está meio restrita. Prometo que no próximo post atualizarei tudo sobre o que está acontecendo + dietas + dicas de viagem ( Austrália ) + histórias + informações.

A foto de hoje é da Austrália, pois cá estou, e se não fosse por ele eu não estaria. Se não fosse por ele eu não teria chegado onde cheguei !

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E vamos lá a mais uma de suas peripécias pelo mundo:

Vida de consultor do outro lado do mundo. Email 1

Vida de consultor do outro lado do mundo.Como estava meio sozinho e isolado em um desses projetos, comecei a mandar mensagens para colegas consultores com as minhas experiências e histórias nesse projeto. Até porque virou um passa-tempo. Lá não dava para fazer coisas básicas para se divertir, por exemplo: cinema, teatro ou qualquer coisa que tivesse que entender a língua coreana. Ver TV, só alguns poucos canais internacionais em inglês.
Pela quantidade de respostas aos “e-mails” que enviei, a aprovação dos colegas foi muito legal e ainda tive a vantagem de que as histórias ficaram registradas.
Seguem então as mensagens enviadas de quando estive na Coréia do Sul 2004.
Foi logo após o projeto de Porto Alegre, portanto fiz algumas menções de pessoas comuns aos dois projetos.
Observação: Tive alguns problemas “técnicos” descritos no inicio da primeira mensagem, mas que nesse texto foram corrigidos e mantive na mensagem só para constar.

1- Primeira mensagem
Esse email foi escrito sem acentos, pois nesse teclado alemão onde
metade das teclas é em caracteres conhecidos e metade em coreano não me
atrevi ainda a pedir que instalem caracteres em português.

Tô chegando.
O tempo estava claro e lá embaixo uma porção de ilhas maravilhosas,
barcos, iates tudo legal. No aeroporto todos são prestativos e muitos
falam alguma coisa parecida com inglês. Peguei uma limousine (Na
Coréia eles chamam os ônibus melhorzinhos de limousine) e fui até o hotel.
No caminho vem o primeiro choque, você olha para fora vê vistas bonitas, vistas feias como a maioria das cidades, mas o problema é quando se olha
para alguma placa, ou tenta saber onde está, ferrou, não se entende absolutamente nada. Se te largarem ali você nunca mais volta pra casa.
Liguei para o gerente do projeto e ele me disse que se encontraria
comigo mais tarde no hotel para me conhecer. Ele estaria junto com o
Eberhard, que eu já conhecia.

Aqui uma pausa. Esse Eberhard merece um capítulo a parte.
Para as pessoas que não trabalharam comigo nos projetos Varig e não o
conhecem, é mais ou menos o seguinte:
Eberhard é um senhor alemão de aparência distinta. Fala um português estranho mas divertido, por exemplo:
Ele estava me explicando sobre os coreanos do projeto e falou mais ou
menos assim: “Zelso (é como ele pronuncia meu nome) você não sabe o que eles estão pensando senhor, fui beber com eles e eles fazem muitas alegrias, mas depois ficam sérios e você não sabe se eles gostam de você”.
Ele, é bastante autêntico, fala o que dá na telha e reclama o tempo todo:
“Quando estava no Brasil nada era bom senhor. Agora na Coréia tudo era bom no Brasil e tudo é ruim aqui”.
Falou o seguinte para mim: “Zelso alguém tem que falar para o nosso chefe que
ele é stupid pois acho que ele não sabe”.
Ele fala várias línguas:
Português, alemão, inglês, espanhol, com um detalhe: todas ao mesmo tempo.
Exemplos:
1- Estávamos tomando uma cerveja e a garçonete coreana se aproxima ele
fala mais ou menos 2 minutos com ela em português, ela não entende nada
e sorri, eu gargalho.
2- Fomos ligar para o Thomas (outro colega do trabalho) da recepção do hotel
ele disse três vezes para o recepcionista: “please call the room eleven
zero oito”. Depois ficou bravo dizendo que o cara não entendia inglês.
3- Na recepção do Hangar da Asiana (empresa onde era o nosso trabalho) eles pegam seu passaporte de manhã e o mantém o dia todo na portaria, quando você sai para o almoço, na volta eles verificam se seu passaporte esta lá. Demoram muito fazendo isso. Os seguranças são trocados todos os dias e mal falam inglês. Uma vez um deles achou o meu passaporte na pilha e ia retirando o mesmo quando o Eberhard gritou para ele:
“Senhor o segundo é meu”. Assim mesmo, em português.

Voltando a minha saga.
No dia seguinte nos encontramos no saguão do hotel eu, Eberhard e o Thomas (o outro alemão que também já trabalhou comigo e que também estava no hotel).
Fui com eles conhecer o caminho e a maneira de ir até o cliente. Tivemos que andar uns quinze minutos atravessar a “Seuol Station” por uma passagem subterrânea
e pegar o ônibus do outro lado da rua e que vai até a Asiana.
É impossível atravessar a rua sem passar por essa passagem subterrânea,
pois é um cruzamento de muitas ruas, bastante largo e nem existe faixas
nas ruas para isso.
Nesse ponto o Thomas me contou a seguinte história:
Certo dia o Eberhard, num horário mais tranquilo tentou atravessar esse cruzamento. A polícia o parou e ninguém se entendia, até que um policial vendo o cartão do hotel entendeu que ele estava hospedado naquele hotel e o fizeram entrar no carro da polícia e levaram de volta para o hotel.
Resultado: 20 minutos depois ele estava no mesmo lugar só que dessa vez
atravessou pela passagem subterrânea.

Chegando na empresa conheci toda a equipe oriental e ocidental. Existiam
mais três pessoas que eu já conhecia pois também já trabalharam no
Brasil: Suzane, Kerstin (que o nosso amigo Joseph chamava aqui no Brasil de “meninona” devido a sua idade e ao seu tamanho) e um alemão que trabalhou no projeto do RH no Rio.
Em relação aos coreanos e impossível decorar os nomes e saber quem é quem. Acho que levarei uns meses para saber.
Fizemos a primeira reunião, o que é a coisa engraçada aqui: Participam
todos os coreanos da equipe (eles nunca vão sozinhos) Você fala,
fala , fala e não faz a menor idéia se eles estão entendendo ou não.
Até aí tudo bem, pois quando o primeiro deles começou a falar, o sotaque era
o de menos, tive que morder minha mão para não dar risada. O cara o
cara fala tudo fala tudo duas vezes duas vezes.
Não , eu não errei ao digitar a linha acima é que ele fala assim mesmo.

Fui almoçar. Alguns almoçam no refeitório da companhia e outros saem para comer no aeroporto que fica perto. Fomos no aeroporto num lugar que tem uma vitrine de pratos e você escolhe o qual você quer. É o único jeito que tem deles entenderem
os estrangeiros. Escolhi um prato e esqueci do aviso do Shim (um amigo brasileiro, descendente de coreanos) para não comer nada vermelho na Coréia e no primeiro bocado, como dizem os nordestinos, “eu vi Genésio”. Como aconteceu com o Luiz (um colega de projetos cheio de histórias) minha alma saiu do corpo e voltou. Cara, é impossível comer aquilo, é pimenta pura. Tomei a sopinha que acompanhava o prato, pois só então me toquei que eles não te dão nada para beber e só bebem no final da refeição. No dia seguinte fui experimentar a comida da companhia e achei melhorzinha, pelo menos tem arroz todo dia.

No trabalho as coisas são complicadas, mas estou me virando.
Um dia nosso chefe alemão veio para cá e a noite convidou toda a equipe
para comer. Foi legal e a comida era em pequenas porções mas muito boa.
No final tem outra história do Eberhard: Ele foi ao “toilet” onde existe um
“cockpit” no lavabo, como ele não entendia nada apertou todos os botões
e saiu um jato d`água direto no seu peito. Voltamos para o Hotel as
gargalhadas dentro do taxi. Infelizmente ele foi embora do projeto e só
volta daqui a um mês.
As coisas aqui são bem mais caras que eu imaginava mas se você procurar bem acha preços razoáveis. Amanhã passarei meu primeiro fim de semana aqui. Mas isso fica para o próximo e-mail.

Abraço a todos.

Histórias de Magrão III

Hoje em homenagem aos nossos antepassados alemães e vitoriosos da Copa 2014, um causo da Alemanha.

Experiências Germânicas 1.

Marinheiro de primeira viagem.
Minha primeira vez na Alemanha, foi também a primeira na Europa e primeira viagem internacional a trabalho. Faz tempo.
Vamos ver o que eu me lembro. Lembro que tive alguns probleminhas.
Trabalhava na Westphalia Separator em Hortolândia e a sede fica em uma cidade chamada Oelde na região de Nordrhein-Westfalien.
Segundo o pessoal de lá, a região mais desenvolvida da Alemanha. Isso, depois de um tempo, ficou suspeito para mim. Todas as cidades que fui depois, em diferentes regiões, o pessoal sempre fala que é a região mais desenvolvida da Alemanha.
A cidade tinha mais ou menos 25 mil habitantes, vivia em função da empresa em que eu trabalhava.
Fiz o trajeto que me aconselharam aqui no Brasil. Viagem com várias trocas de trem e baldeações, cheguei lá em umas 20 horas, entre avião e trem.
Tive então minha primeira surpresa: chegando lá o hotel estava fechado.
Vi que tinha um bar ao lado do hotel e fui lá ver se conseguia alguma informação.
Ninguém falava inglês, meu alemão era de básico para médio (agora piorou muito, perto do zero), mas mesmo assim consegui alguma coisa.
Me informaram que os hotéis não funcionavam 24 horas e no “check in” te davam uma chave da porta da frente para você poder entrar a noite.
Descobri que o dono do bar era também dono do hotel, mesmo assim a garçonete do bar disse que não poderia fazer nada, pois trabalhava só no bar.
Coisas estranhas me passaram pela cabeça. Um colega que morava lá tinha me falado que em caso de emergência procura-se uma cabine telefônica, (é, na época ainda existiam) pois eram fechadas, grandes e tinham aquecimento. Depois de muita negociação num misto de alemão, inglês e português a moça concordou em chamar uma funcionária do hotel para me atender. Respirei aliviado, mas não por muito tempo.

No hotel.
Não tinham quartos disponíveis, pois como demorei a chegar, a reserva tinha expirado e tinham colocado outra pessoa em meu lugar. Mais negociações…
Tinha um quarto, me informaram que não estava arrumado e que tinha algum problema, que não consegui entender qual era. Falei que ficaria na primeira noite nele mesmo com o problema.
Desfiz as malas e quando estava pronto para tomar um banho, ou seja, já sem roupa, batem a porta. Era um senhor que havia se hospedado no mesmo quarto e tinha esquecido a chave do carro em algum lugar e só faltava ali para procurar. Esse era o problema e por sorte estava lá e ele achou rápido.
Após o banho eu estava com fome e vi que deixaram uma maçã lá. Já era tarde, decidi então voltar ao bar do lado do hotel.
A cerveja era muito boa e produzida na própria cidade. “Marca” Potts (Jamais imaginei que no futuro ouviria falar dela de novo, mas isso é outra história).
Depois de tudo aquilo eu achei que meu alemão estava bom e arrisquei pedir um prato do cardápio sem a ajuda da garçonete, para não incomodá-la mais, nem a mim, com problemas linguísticos.
Pelo nome parecia ser um prato bem servido com carne e legumes. Chegou uma sopinha de camarões. Tudo bem, acabei com ela em um minuto.
Bebi mais umas cervejas e fui ao quarto traçar aquela maçã.

No trabalho.
Fui no verão. Como a cidade é pequena, todos vão trabalhar a pé ou de bicicleta.
Chegando lá notei que a segurança praticamente não existia. Não precisava. O porteiro, muito solícito, me acompanhou ensinando o caminho ao departamento onde eu tinha que ir e disse que nos próximos dias eu poderia chegar e ir direto para lá sem passar pela portaria.
O caminho lá dentro era estranho, parecia o início dos filminhos do agente 86.
O alemão que trabalhei e organizou minha visita era muito gente boa, mas tinha um olhar de maluco. Me avisaram aqui no Brasil, que ele fitava as pessoas só com os olhos, não girava a cabeça. Achei sinistro.
Comecei a testar, me movimentando sem causar suspeitas e olhando para ver se era isso mesmo que ele fazia. Era. Só que nada sinistro como eu havia imaginado, mas cômico.
Ele trabalhou comigo nos primeiros dias e nos outros me levava a outros setores e apresentava à pessoa com quem eu iria trabalhar.
Me deu as dicas para almoçar. Lá, como a cidade é pequena, muitos almoçavam em casa.
Alguns levavam marmitas de casa e outros, que foi o meu caso, tinham que ir a uns restaurantes que serviam a comida mais rápido, pois o tempo de almoço era curto.
Esses restaurantes pareciam umas padarias com pequenos balcões e banquetas para se sentar e outros para comer em pé mesmo. A comida era boa e barata nesses lugares.

A cidade
Me dei conta de quão pequena era a cidade quando fui apresentado a uma colega e ela falou que já havia me visto na cidade e achava que eu era o brasileiro que iria trabalhar naquele dia com ela.
Sou descendente de europeus e não fazia menor idéia de como ela soube que eu era brasileiro. A Marcinha falou que é pelo jeito de andar. Realmente os alemães andam meio travadões, bem diferente da gente.
À noite descobri bons restaurantes e me surpreendeu que uma cidade tão pequena pudesse ter tantos bons restaurantes. Numa cidade do mesmo tamanho no Brasil com certeza não teria nenhum.
Existia um “centrinho” todo ajeitadinho. Crianças andando de bicicleta com uma bandeirinha amarela obrigatória, para que os carros pudessem vê-las. Típicas construções alemãs.
Parque municipal com grande área verde e uma piscina pública lá no meio. Eventos de época nos finais de semana.
Acabei conhecendo um casal de brasileiros que morava lá a mais de um ano. O cara me deu várias dicas da cidade e de como são os alemães em geral, o que pude confirmar depois no futuro.

A volta.
Me deram a dica de voltar também de trem, mas num trem diferente do qual eu havia ido para lá.
Tinha vidros grandes e no trecho entre Dusseldorf a Frankfurt ele ia praticamente ao lado do Reno. Te davam uma revistinha que ia explicando uma série de locais históricos e turísticos do caminho. Muito legal.

Nossa!! Achei que iria escrever sobre minhas experiências germânicas e só escrevi uma até agora. O resto fica para as próximas.
Abraços,
Magrão.

 

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Histórias de Magrão II

Mais um post com as histórias do Magrão.

Todo dia, sem exceção, penso no meu Papis. Sinto sempre ele do meu lado, e pelo menos uma vez por semana a gente tem se encontrado nos meus sonhos. E nestes, a gente está sempre se divertindo, fazendo um esporte ou algo assim. Ai que saudade…

“Austríacos 1

Seguindo a sugestão do meu amigo Toninho, que gostou das histórias dos Alemães na Coréia e sugeriu escrever um pouco dos consultores austríacos do projeto da Intesy.

Eram três figuras, dois homens e uma mulher.
Os caras eram gente boa, divertidos. Um deles aprendia coisas em português rapidamente, principalmente as bobagens. O Toninho ajudava bastante nisso.
As coisas mal feitas ou mal definidas do projeto ela já chamava de “Tabajara”.
Quando fomos à Áustria ele foi super atencioso e nos levou para comer em lugares não turísticos, bons e baratos. Num dia que estávamos com muita fome ele descreveu um prato de joelho de porco servido em um restaurante de sua predileção. Na sua descrição o negócio parecia um filé de brontossauro. Fomos lá conferir. Era bom mesmo!
A mulher era mais chatinha (ou chatona, devido ao seu tamanho). Nariz empinado, não escutava muito o que os brasileiros falavam, prá falar a verdade nem aos austríacos. Nem com relação ao trabalho, nem com relação a outras coisas.
Ela adorava maracujá e comprava vários quando vinha para cá.
Certa vez entrando para uma reunião vi que ela comprou uma garrafa de suco de maracujá maguary. Eu era um dos poucos que se relacionavam bem com ela.
Como ela não entendia português, avisei que o suco era muito forte e que era necessário diluir em água. Mostrei até a proporção desenhada no frasco. Lógico, ela não deu a mínima para as minhas palavras.
Alguns minutos após o início da reunião todos a observaram enchendo um copo com o suco e mandando direto para dentro. Imaginem seu rosto segundos após a ingestão.
Ninguém falou nada, alguns seguraram o riso.
Ela olhou para mim como que dizendo: É, você falou alguma coisa sobre o suco e eu não prestei atenção.

O chefe deles às vezes vinha ao Brasil também.
Ele parecia com o Roberto Leal, principalmente o cabelo. O pessoal do projeto quando se referia a ele cantava a musiquinha: Ai bate o pé, bate o pé, bate o pé…

Abraço a todos.
Magrão.”

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Histórias de Magrão

Decidi que todo dia 14 farei uma homenagem ao meu lindo pai que há dois meses foi para o paraíso. Vou começar com uma de suas histórias. Ele tinha um blog: blogdomagrus.blogspot.com.br, onde escrevia suas peripécias aí a fora… entrem lá !

“Passagem por Portugal, não é piada é tudo verídico

Olá pessoal,

Fiz uma viagem para a Áustria, mas como os vôos pela TAP (empresa aérea Portuguesa) tinham lugares
e a passagem estava com preço bom, a secretária resolveu comprar por essa
companhia.
Não se deu conta que tinha longo tempo de espera em Lisboa na ida e
pernoitar em Lisboa no vôo de volta.
Depois descobri que isso é uma política da TAP juntamente com o órgão de
turismo de Portugal. O intuito é que se conheça um pouco do país e tenha vontade de voltar a
turismo.
O hotel para esse pernoite é cortesia da TAP.
Quando soube disso achei a iniciativa interessante e pensei: até que os
“patrícios” são inteligentes.
Estava com colegas do trabalho e embora não precisássemos pernoitar na ida
tivemos um tempinho para passear pela cidade.

Fomos até aqueles lugares de informações turísticas no aeroporto e aí
comecei a me sentir em Portugal, daquele que a gente ouve falar.
Tive o seguinte diálogo com a atendente:
– Ficaremos por volta de 5 horas em Portugal o que podemos fazer?
– Pode fazer o que quiser.
– Sim, mas vocês tem algum passeio que dure mais ou menos esse tempo para
nos sugerir?
– Não.
Nesse meio tempo uma colega falou – Já estive aqui e me lembro de um local
onde podemos comprar “souvenirs” e comer pastéis de Belém só não me lembro
bem o nome do local.
Continuei minha conversa com a atendente.
-Você sabe onde podemos comer pastéis de Belém?
-Em Belém. Ora pois.
-Sim mas em Lisboa não há um local para comer pastéis de Belém?
-Não. Se querem comer pastéis de Belém tens que ir a Belém, ora pois.
-Não existe algo similar ao pastel de Belém por aqui?
-Sim, mas não são de Belém.
– E quanto custa + ou – uma corrida de táxi até lá?
-Não sei.

Nesse ponto desistimos e fomos direto falar com um taxista.
O cara era jovem bem solicito e nos levou ao castelo de São Jorge dizendo
que era muito melhor que ir ao centro, realmente é muito legal com uma vista
maravilhosa da cidade e do Tejo.

Na volta quando passando novamente por Lisboa tínhamos direito ao pernoite,
descobri no último momento que me colocaram no mesmo quarto que uma colega
que viajava comigo.
Fui até o balcão da TAP e me informaram: para economizar colocamos pessoas
do mesmo sexo e que fazem a reserva em conjunto no mesmo quarto.
Perguntei:
-Que língua se fala aqui?
-Português, ora pois.
-Me chamo Celso e a pessoa que vocês colocaram no mesmo quarto que eu se
chama Maria.
Achei que ela entenderia a indireta.
Não entendeu. Tive que explicar que não éramos do mesmo sexo.
Desse ponto para frente ela foi bem solicita ligou para o hotel e
conseguimos quartos separados.
No último instante me entregou um papel dizendo -O senhor não precisa pagar
o táxi. Basta entregar esse comprovante para o taxista no final da corrida, mas
atenção não fale nada ao taxista até chegar no hotel senão ele não te leva.
Curioso, segui as instruções e descobri que quem paga a corrida é o hotel só
que isso não é muito claro nem para o hotel e nem para o taxista.

A tarde fui passear pela cidade naqueles bondes de turismo pelo centro
velho.
É cheio de ladeiras e ruas estreitíssimas
O motorneiro conseguiu bater o bonde em um caminhão parado perto dos
trilhos. Riscou o bonde de fora a fora.
Começou uma discussão lusitana pra ver quem era o culpado, foi hilário, um
brigava porque o outro parou perto dos trilhos, o outro perguntava por que o
bonde não parou se não dava para passar.
Só eu entendia a discussão e dava risada, a maioria dos turista não entendia
uma palavra em português e ficava me olhando tentando entender porque eu ria
da trágica situação. A discussão só terminou quando 15 minutos depois chegou
outro bonde e obviamente não conseguia passar.
Detalhe: por muito pouco quando foi passar não bateu no caminhão também.

A parte boa, é que comi uma bacalhoada maravilhosa perto elevador de Santa Justa e a
sobremesa foi pastéis de nata, já que pastéis de Belém, só em Belém, ora
pois.
Falou moçada até o próximo.

Magrão.”

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Como não achei nenhuma foto dessa viagem dele, coloquei esta em Floripa.