Longe dos olhos/ Far from the eyes. In Portuguese and English (scroll down)

Marco eh um mes de alegria e tristeza. O mes em que meu pai nasceu e comemorou varios aniversarios, mas tambem o mes em que faleceu. E como alguns de voces ja sabem, existe aqui no alimentadomentes uma sessao especial para ele, onde reposto os posts que um dia ele escreveu. Eh assim uma prazerosa forma de relembrarmos um pouquinho dele.

Hoje nao vou postar as historias dele, mas fazer um desabafo.

Lidar com a morte nao eh facil, e nesse exato momento, escrevendo este post, estou em lagrimas.. Ja faz quase 4 anos, um pouco mais do meu tempo aqui na Australia. Cada dia uma emocao diferente. Cada situacao uma reacao diferente. No entanto, quando falo do meu pai, falo com alegria e orgulho, sem chorar. O choro so vem quando estou sozinha.

Olhar fotos eh dificil, reelembrar eh dificil. As vezes eh melhor nao pensar muito. Nao porque eu nao queira lembrar dele, mas simplesmente porque lembrar desperta o fato de que nao poderei te-lo nunca mais vivendo comigo. Estar na Australia ate eh bom, engana a mente e me faz pensar que ele so esta la no Brasil, longe dos olhos. Disfarca a dor, afinal a maioria das pessoas que amo estao longe. Entao, soh parece que ele esta la…

A decisao de vir e nao estar fisicamente perto da minha mae nao foi so minha, foi tambem dela. E do meu pai. Apos o falecimento dele eu queria desistir de vir, mas minha mae insistiu pra que eu vivesse esse sonho de morar fora, afinal era a vontade do meu pai que eu morasse em outro pais que nao o Brasil, onde eu pudesse ter uma vida melhor, mais tranquila, menos violenta e mais justa. Esse era o sonho dele para ele, e para mim. Assim, aqui estou realizando os nossos sonhos, dele, meu e da minha mae.

Ha quem julgue a minha decisao de ter vindo, mas sabe….foda-se. Eu nunca liguei muito pra opiniao dos outros. Eu vim realizar os nossos sonhos, meu, do meu pai e da minha mae. Eu fui forte e corajosa o suficiente pra aceitar esse desafio no momento, talvez , mais dificil de nossas vidas.

Hoje, Mamy and I, somos saudosas porem felizes, longe dos olhos, mas perto de coracao.

Ps: obrigada eternamente ao meu amado marido por estar sempre ao meu lado e ter abracado o meu sonho que hoje se tornou o nosso sonho.

March is a month of joy and sorrow. The month in which my father was born and celebrated several birthdays, yet also the month in which he passed away. As some of you already know, there is a special session here, in memoriam,  for the posts he posted on his blog.

However, today I am not going to post his stories, I’m going to make a disembosom.

Dealing with death is not easy, and right now, writing this post, I’m in tears. It’s been almost 4 years, a little bit longer than the time I’ve been here in Australia, and every day is different feeling. Each situation leads to a different emotion.  When I speak of my father, I speak with joy and pride, without crying. The tears usually come when I’m alone.

To look at photos is difficult, recall is difficult. Sometimes it’s better not to think too much. Not because I don’t want to remember him, but simply because it raises the fact that I will not be able to live with him anymore. Perhaps being in Australia deceives the mind, because it makes me think that he is still in Brazil, just out of sight. Disguise the pain, after all, most people I love are far away.

The decision to come and not be physically close to my mother was not only mine, it was also hers. And my father’s. I wanted to give up moving here, but my mother made me come to live this dream, after all it was my father’s will that I live outside Brazil, in a place where I could have a better, quieter, less violent and fairer life. This was his dream for him, and for me. So, here I am realising our dreams, his and mine.

There are those who judge my decision to come, but you know what?  …. fuck off. I couldn’t care less about people’s opinions anyway. I came to fulfil our dreams, mine, my father’s and my mother’s. I was strong and brave enough to accept this challenge at such a difficult time in our lives. Today, Mamys and I, we are homesick and happy though, far from the eyes, but close to heart.

Ps: forever thanks to my beloved husband for being always by my side and have embraced my dream that today is our dream.

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Historias do Magrao VI

Ja ha quase quatro anos que se foi, nao deixo de pensar nenhum dia. Pra quem gosta de ler e relembrar ai vai mais uma historias de Magrao, o meu pai.

Souvenir 1- Guarda-chuva

O primeiro souvenir que me ocorre, foi de um guarda-chuva.

Nunca tinha conseguido manter algum por mais de um verão.
Ou por causa da qualidade que era ruim e com facilidade as varetas quebravam, ou entortavam, ou furavam o tecido. Lógico, nas horas em que eu mais precisava deles.
Ou por que eu esquecia em algum lugar. Todos esquecem, não é mesmo?
Fico curioso para saber para onde vão todos os guarda-chuvas esquecidos.
Deve haver uma montanha deles em algum lugar.

Até um dia em que recebemos um gerente da Lufthansa Systems e ele trouxe um guarda-chuva para cada um da equipe de consultores aqui do Brasil.
Disse que queria trazer souvenires e como estava sem tempo comprou as pressas na loja de produtos da própria Lufthansa, no aeroporto de Frankfurt antes de embarcar para cá.
Achei estranho ganhar um guarda-chuva de presente do chefe do meu chefe.
Vinha numa embalagem pequena e prática, muito bonita com o logotipo da Lufthansa.
Após abrir vi que era simples, prático e parecia ser de boa qualidade. Tinha também o logo da Lufthansa.

Como eu trabalhava em São Paulo foi muito útil naqueles dias e percebi que a qualidade era realmente muito acima dos que eu já tinha possuído.
Prometi para mim mesmo que tomaria cuidado e não iria esquecê-lo em lugar algum.
Incrível, tenho-o até hoje. Me quebrou cada galhão.
Já está meio surrado, mas às vezes ainda é usado.
PS: Tem mais ou menos 10 anos de idade.

 

Historias do Magrao para quem estava com saudades

A glamurosa vida de consultor.

(É… colegas consultores. Eles vêem as pinga que tomamos, mas não vêem os tombos que levamos)

Minha última viagem para projeto internacional foi à Paris.
Falando assim o que todo mundo pensa… Que legal! É um privilegiado! Etc.

Avisaram-me três dias antes. Aí no dia seguinte, cancelaram. Aí no outro dia confirmaram novamente. Lá fui eu. Em cima da hora.

Quando comuniquei às pessoas que iria para lá, ouvi diversos comentários:
– Nossa! Que vida boa essa que vocês levam!- Vai levar a esposa?

Não adiantava responder:

– Mas vou a trabalho.
E escutava:
– É, mas é em Paris!
Até a esposa dizia frases com cara de brava:
– Você vai para Paris e eu não poderei ir com você, é muita sacanagem!
Que culpa tenho eu?

Aí começa a saga.
Lembram em fevereiro? Falou se muito nos noticiários. Um frio incomum na Europa.
Muita neve na Espanha, Itália, França. Em regiões onde normalmente não neva ou fazia muito tempo não nevava como Roma, Paris nevou bastante.
Pois é… Eu tava lá… Em Paris, bem nesses dias, os mais frios em décadas.
Cheguei num dia já muito frio.
Pensei: – OK não é comum e a tendência agora deve ser esquentar…
Triste ilusão! Mais Frio!
Aí no primeiro dia tive a fantástica notícia:
Nos próximos três dias você terá reuniões com o pessoal daqui e um pessoal da Austrália também vai participar e por isso as reuniões começarão as 6:00 hs da manhã e é bom você chegar às 5:45hs no escritório.
Resultado: Nos três dias seguintes enfrentei o frio das 5 da matina, sem café da manhã do hotel (que começava a ser servido às 6hs) para participar dessas reuniões. Fora isso para poder entrar no prédio da empresa tinha que chamar o porteiro do prédio e ficar esperando na calçada até que ele, assustado ao ver um cara querendo entrar para trabalhar a essa hora, ir abrir a porta. Se demorasse muito eu viraria um sorvete. Ou seja, até então Paris estava terrível pra mim.

Como todo brasileiro que não desiste nunca, faço aquele esforço mental e penso:

Ok, no final de semana vai melhorar…
Na sexta-feira deu uma melhoradinha. Beleza! Agora vai…
Sábado, acordei às 9 horas da manhã, normalmente estaria começando a esquentar lá pelas 10hs. Como gosto passear caminhando pelas cidades européias que são organizadas e aconchegantes, planejo:
Vou descer do metrô numa estação perto de vários pontos interessantes e aí caminhando e passeando decido aonde ir. Dois colegas compraram a idéia e foram comigo. Resultado: Passei o maior frio da minha vida.
Não sei como, cheguei ao Louvre. Eu o via 200 metros a minha frente e ainda assim duvidava que conseguisse chegar lá. Olhei para um laguinho que tem no caminho e ele estava congelado. Olhava uns malucos correndo pelo parque só de agasalho com aquele vento cortante e ficava imaginando: como eles não passam frio? Será que vão me socorrer se eu cair por aqui?
Cheguei ao museu e levei uns 15 minutos para me recuperar. O rosto formigava, o nariz corria e não tocava as orelhas com medo de que elas quebrassem.
OK, ok, a visita ao museu foi dez. Comi numa lanchonete lá dentro mesmo.
Lá pelas 2 da tarde subiu a temperatura lá fora, pelo menos é era o que o Iphone do meu colega informava, sendo assim os tolinhos brasileiros pensam:
– Subiu bastante, agora dá para andar lá fora. Deu, foi sofrido, friorento, mas deu.
Margens do Sena, torre Eiffel, chocolate quente, compra de luvas e gorros para aguentar o tranco etc.
Quando umas duas horas depois começou a esfriar e ficar insuportável novamente fomos a Galeria Lafayette. Chegando lá percebi que só mulheres haviam recomendado conhecer o local e descobri o motivo:
É o paraíso para as mulheres e inferno para os homens. Vários andares, milhões de coisas que não interessam ao sexo masculino e que a massacrante maioria não teria dinheiro para comprar de qualquer modo. Então prá que ficar lá dentro com um monte de gente se esbarrando? Não faço idéia, mas por algum motivo as mulheres adoram. Ficam hipnotizadas, qualquer argumento masculino passa longe de ser notado.
Juro que procurei uma seção de coisas masculinas e descobri, fica num cantinho mirradinho num dos andares.
Voltei para o hotel e apesar dos pesares estava começando a gostar de ter ido a Paris. Sinto um incomodo nos dentes. Na manhã seguinte vou tomar café. Não consigo mastigar de um lado. Penso:
– Dor de dente? Assim do nada? E agora?
Mesmo assim fui dar um rolê na Champs Elysees e almoçar por lá. É legal.
Dia seguinte… mais dor. Resisti durante toda a semana à base de doses cavalares de aspirina.
O frio continua. Continua a saga de tentar se equilibrar nas calçadas cheias de gelo, de comer perto do hotel para não ter que passar frio, de aguentar o mal humor dos taxistas.
Thanks God, até que enfim é sexta-feira. Volto para a terrinha.

Chego no sábado de carnaval, sinto o calor, humm! Delícia! O dente logo parou de doer.
A glamorosa vida de consultor tinha se resumido a um final de semana gelado na França.
De qualquer modo não posso reclamar, é o jeito de trabalhar que escolhi e por enquanto não troco por outro. Afinal Paris é Paris.
Depois da semana do carnaval tive que voltar para lá novamente, mas essa história fica para um próximo “post”.

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Um texto para refletirmos

É preciso diminuir o ritmo, dar valor as coisas importantes de vida e curti-las.

Por esse motivo, de achar que não tenho tempo, não escrevi o que eu realmente gostaria de escrever para esse mês, novembro será diferente.

“A velocidade do cotidiano não nos oferece tempo para recordações; se estamos com pouco tempo para cuidar da vida, menos ainda nos sobra para cuidar da morte
Descanse em paz?
Mario Sergio Cortella

Em uma de suas cartas, o romancista Gustave Flaubert escreveu: “Que grande necrópole é o coração humano! Para que irmos aos cemitérios? Basta abrirmos as nossas recordações; quantos túmulos!”.
Uma visão quase amarga como essa coube muito bem no século passado e, até há pouco, ainda tinha alguma vitalidade; agora, nas nossas pós-modernas e alvoroçadas épocas, estamos perdendo parte da capacidade de abrir as recordações, mesmo as tumulares. Hoje, a velocidade inclemente do cotidiano não nos oferece tempo para recordações muito duradouras; se estamos com pouco tempo para cuidar da vida, menos ainda nos sobra para cuidar da morte.
Não temos tempo! Houve uma época na história humana (e não faz muito) em que, quando um dos nossos morria, parávamos tudo o que estivéssemos fazendo; o trabalho, ou o que mais fosse, era interrompido e, se preciso, faziam-se longas viagens, até noturnas (sem os rápidos aviões, carros e boas estradas atuais), mas não deixávamos de, velando os partintes, cuidar dos ficantes.
A humanidade houvera compreendido que, se com a Morte não nos conformamos, ao menos nos confortamos, nos fortalecemos em conjunto, nos apoiamos. As pessoas ficavam, às vezes por um dia e uma noite, em volta da família, aglomerados, grudados, exalando solidariedade e emoção, orando e purgando lentamente o impacto, mostrando aos mais próximos que não estavam sozinhos na perda.
Ora, um dos mais fortes indícios da presença humana é o cuidado com os mortos; as mais antigas manifestações de formação social, quando as localizamos, nós o fazemos por intermédio de túmulos, inscrições, ossos agrupados ou corpos enterrados ou cremados. É sinal de humanidade não se conformar com a Morte e, portanto, buscar vencer simbolicamente o que parece ser invencível. A própria palavra cemitério (derivada do grego), usada em vários idiomas, significa lugar para dormir, dormitório, lugar para descansar. Deixar esvair essa marca é extremamente perigoso pois não propicia a especial ocasião de meditar sobre a Vida e, eventualmente, descansar em paz.
Deixamos de velar (no sentido de tomar conta, cuidar) para velar (como cobrir, ocultar, esquecer, apagar).
Não temos mais tempo! Se recebemos a notícia de que algum conhecido faleceu, olhamos o relógio e pensamos: “Vou ver se dou uma passadinha lá…”; alguém morre às 10 horas da manhã e, se der, será enterrado até as cinco da tarde, de maneira a, em nome do “não sofrermos muito”, sermos mais práticos e rápidos. Nem as crianças (já um pouco crescidas) são levadas a velórios; muitos argumentam que é para poupá-las da dor. Isso não pode valer; parte delas cresce sem a noção mais próxima de perda e, despreparadas e insensibilizadas para enfrentar algumas situações nas quais a nossa humanidade desponta, simultaneamente, fraca e forte, perdem força vital.
Por isso, não será estranho se, em breve, tivermos que nos acostumar também com o velório virtual ou, principalmente, como já está começando em países mais “avançados”, o velório “drive thru”: entra-se com o carro, coloca-se a mão sobre o corpo do falecido (enquanto um sensor lê tuas digitais para enviar um agradecimento formal), aperta-se um botão com a oração que se deseja fazer e… pronto, já vai tarde. Parece ridículo? Se não prestarmos atenção, assim será.
Vale o alerta de Gilbert Cesbron, “E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde demais”? “.

Homenagem ao dia das criancas

daddyboy